Rússia: O petróleo e o gás russos não conseguem mais sustentar os gastos militares, uma crise à vista?
A Rússia está em um grande ponto de virada econômico, sobrecarregada com o aumento acentuado dos gastos militares e uma crescente crise energética. Enquanto os recursos financeiros se tornam escassos, o custo do conflito na Ucrânia torna-se insustentável. Em 2025, o aumento dos gastos militares e a queda na receita de energia colocarão o país diante de um desafio econômico sem precedentes.
Uma explosão nos gastos militares e um déficit em alta
Desde o início do conflito em 2022, a Rússia concentrou seus recursos econômicos em seus gastos militares, alterando fundamentalmente a estrutura de sua economia. A prioridade absoluta dada aos gastos militares teve consequências diretas nas finanças do Estado. Aqui estão os principais pontos que resumem essa reviravolta:
- Uma explosão nos gastos militares: em três anos, os gastos com defesa aumentaram 90%. Eles passaram de 3,58% do PIB em 2021 para 6,68% em 2024.
- Receitas petrolíferas insuficientes: em 2025, pela primeira vez, as receitas provenientes do petróleo e do gás (10.900 bilhões de rublos) não serão mais suficientes para financiar os gastos militares (13.600 bilhões de rublos), o que representa um desequilíbrio histórico no orçamento do Estado.
- O impacto das sanções internacionais: as sanções econômicas e a redução dos investimentos estrangeiros no setor energético russo diminuíram a capacidade do país de aproveitar plenamente seus recursos naturais.
- Uma dívida oculta: para mascarar essa lacuna financeira, a Rússia acumulou uma dívida oculta, estimada entre 207 e 249 bilhões de dólares desde o verão de 2022, manipulando certos indicadores econômicos para manter a imagem resiliente de sua economia.
Esse desequilíbrio financeiro ilustra a crescente impossibilidade de manter uma guerra prolongada e de buscar preservar uma estabilidade econômica diante das pressões externas.
O efeito das sanções e a erosão das receitas energéticas
A Rússia, historicamente dependente de suas exportações de hidrocarbonetos para financiar sua economia, hoje vê suas receitas energéticas fortemente erodidas, consequência direta das sanções internacionais e da queda dos preços do petróleo e do gás.
Atualmente, as exportações de petróleo e gás já não conseguem cobrir a magnitude dos gastos militares, o que cria uma pressão sem precedentes sobre as finanças russas.
Essa situação revela a fragilidade do modelo econômico do Kremlin, que depende em grande parte das receitas de um setor energético cuja rentabilidade agora está comprometida pelas restrições externas.
A diminuição das exportações e a estagnação dos preços globais das commodities colocam a Rússia em uma posição delicada, onde a diversificação econômica se torna cada vez mais urgente, mas difícil de realizar, dado o aumento do conflito militar.
As repercussões dessa crise econômica são profundas e múltiplas. Especialistas destacam que, sem um retorno à estabilidade no plano geopolítico ou uma resolução rápida do conflito, a Rússia pode se encontrar em uma espiral de hiperinflação, o que levaria a uma degradação da qualidade de vida de seus cidadãos e um possível colapso da economia doméstica. O aumento das sanções e a crescente fragilidade do mercado energético podem prolongar este período de estagnação, com consequências possíveis para a coesão social e a legitimidade do governo.
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Diplômé de Sciences Po Toulouse et titulaire d'une certification consultant blockchain délivrée par Alyra, j'ai rejoint l'aventure Cointribune en 2019. Convaincu du potentiel de la blockchain pour transformer de nombreux secteurs de l'économie, j'ai pris l'engagement de sensibiliser et d'informer le grand public sur cet écosystème en constante évolution. Mon objectif est de permettre à chacun de mieux comprendre la blockchain et de saisir les opportunités qu'elle offre. Je m'efforce chaque jour de fournir une analyse objective de l'actualité, de décrypter les tendances du marché, de relayer les dernières innovations technologiques et de mettre en perspective les enjeux économiques et sociétaux de cette révolution en marche.
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