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Desdolarização: Veja o que os países dos BRICS estão preparando nos bastidores

Sat 05 Apr 2025 ▪ 5 min de leitura ▪ por Luc Jose A.
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Em um contexto geopolítico em plena reconfiguração, duas iniciativas marcantes abalam a hegemonia do dólar. O Brasil e a China atuam em uma mudança estratégica ao privilegiar suas moedas nacionais para intercâmbios bilaterais. De sua parte, a Rússia e o Irã anunciam a criação de uma nova moeda comum para contornar as sanções ocidentais. Esses movimentos distintos, mas convergentes, ilustram uma vontade compartilhada dos membros influentes dos BRICS: construir um sistema financeiro menos dependente do dólar e afirmar uma soberania monetária diante das pressões externas.

Representantes do bloco BRICS debatendo em torno de um dólar projetado, em uma atmosfera tensa e estratégica.

Brasil – China: uma parceria oficializada para pagamentos em moedas locais

O Brasil e a China alcançam um novo patamar em sua estratégia comum de desdolarização. Assim, suas relações comerciais, já robustas, tomam agora uma direção monetária mais afirmativa, com uma vontade exposta de transitar progressivamente para pagamentos em moedas locais. Essa iniciativa foi confirmada publicamente por representantes oficiais brasileiros.

Aqui estão os fatos essenciais:

  • Um acordo oficial entre os dois países para o uso de moedas locais nas trocas bilaterais: essa decisão visa reduzir a dependência do dólar americano nas transações transfronteiriças.
  • Transações já em andamento nas moedas nacionais: Tatiana Rosito, secretária do ministério das Finanças do Brasil, declara que “o comércio em moedas locais já está em andamento, por exemplo, entre o Brasil e a China”.
  • O apoio político do governo Lula: o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva milita ativamente por uma saída gradual do sistema dominado pelo dólar, principalmente na aproximação do próximo cúpula dos BRICS.
  • Nenhuma barreira técnica por parte brasileira: Rosito afirma que “o Brasil apoia totalmente a utilização de moedas locais” e “nenhum obstáculo existe a isso por parte brasileira”.
  • Um objetivo econômico claro: reduzir os custos de transação para os membros da aliança dos BRICS e fortalecer a autonomia financeira da aliança. “O objetivo é expandir o uso das moedas locais de todas as maneiras que permitem reduzir custos”, explica Rosito.
  • Um apoio estrutural através do banco dos BRICS: o New Development Bank permite que os países membros evitem o uso do dólar para o financiamento de projetos, o que reforça a eficácia dessa estratégia monetária alternativa.

Esse estreitamento sino-brasileiro não é, portanto, uma simples declaração de intenção. Marca uma inflexão estratégica concreta em direção a uma regionalização dos fluxos financeiros, promovida por meios institucionais e um forte alinhamento político.

Rússia – Irã: uma nova moeda para contornar o dólar?

Em um registro mais especulativo, mas não menos simbólico, a Rússia e o Irã, outras duas potências alinhadas em uma oposição crescente à hegemonia ocidental, afirmam estar trabalhando na criação de uma nova moeda comum dentro do bloco dos BRICS.

Kazem Jalali, embaixador do Irã na Rússia, declarou que:

A criação de uma nova moeda única no âmbito da associação dos BRICS é o que a Rússia e o Irã estão trabalhando para se desfazer da dependência do dólar.

Esse anúncio se insere em um contexto de sanções econômicas crescentes contra os dois países, que buscam alternativas para manter a estabilidade de suas economias.

No entanto, os detalhes que cercam esse projeto permanecem muito obscuros. O embaixador iraniano não forneceu prazos, mecanismos precisos ou mesmo elementos concretos sobre o progresso dessa iniciativa.

Nada permite afirmar se essa moeda está em fase de concepção ativa ou se não passa de uma intenção política manifesta. A falta de transparência alimenta o ceticismo. Alguns observadores não descartam uma operação de comunicação mais do que um projeto viável a curto prazo. Tal incerteza contrasta com o avanço mais pragmático do par sino-brasileiro.

Além do projeto em si, esse anúncio denota uma vontade de repensar a ordem econômica mundial. Se uma moeda comum viesse a existir ao nível dos BRICS, uma ideia evocada de maneira recorrente há vários anos, poderia reconfigurar os equilíbrios financeiros globais, desde que sejam superados os obstáculos políticos, tecnológicos e econômicos que cercam sua criação. Por ora, essa perspectiva permanece incerta.

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Luc Jose A.

Diplômé de Sciences Po Toulouse et titulaire d'une certification consultant blockchain délivrée par Alyra, j'ai rejoint l'aventure Cointribune en 2019. Convaincu du potentiel de la blockchain pour transformer de nombreux secteurs de l'économie, j'ai pris l'engagement de sensibiliser et d'informer le grand public sur cet écosystème en constante évolution. Mon objectif est de permettre à chacun de mieux comprendre la blockchain et de saisir les opportunités qu'elle offre. Je m'efforce chaque jour de fournir une analyse objective de l'actualité, de décrypter les tendances du marché, de relayer les dernières innovations technologiques et de mettre en perspective les enjeux économiques et sociétaux de cette révolution en marche.

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